Destaques deste início de temporada da MLB
- Roberto Becker
- Jun 20, 2025
- 4 min read
Updated: Sep 23, 2025
PCA: estrela em formação no outfield dos Cubs

Pete Crow-Armstrong finalmente começa a mostrar por que foi considerado o melhor defensor do sistema dos Cubs e um dos melhores outfielders de sua classe. Em 72 jogos na temporada, PCA soma 19 HR, 58 RBI, 23 bases roubadas e um OPS de .856, além de várias jogadas defensivas de highlight no center field. Sua presença já garantiu +12 Fielding Run Value, +5 Outs Above Average e um DRS de +7, todos no topo da liga.
PCA combina velocidade, reação e posicionamento como poucos no beisebol atual. Ofensivamente, já passou da fase irregular: com .270 de média e power legítimo (13,6% de barrel rate, 44% hard-hit rate), ele já é presença de elite no bastão. No WAR, seu impacto é inegável: com 4.3 de fWAR, é o 2º jogador mais valioso da MLB em 2025, atrás apenas de Aaron Judge.
Top 5 fWAR – MLB (18/06/2025)
Posição | Jogador | fWAR |
1 | Aaron Judge (NYY) | 5.4 |
2 | Pete Crow-Armstrong (CHC) | 4.3 |
3 | Jeremy Peña (HOU) | 4.2 |
4 | Paul Skenes (PIT) | 4.0 |
5 | Tarik Skubal (DET) | 3.7 |
Red Sox: reconstrução com Young Core Campbell‑Mayer‑Anthony

Após a troca de Rafael Devers para os Giants (que trouxe Jordan Hicks, Kyle Harrison e reforços), os Red Sox focaram na base e agora ostentam seu Big 3:
Kristian Campbell (2B): titular desde março, exibe .229 de AVG com 6 HR, 21 RBI e um OPS de .902 em abril, garantindo extensão de 8 anos por US$ 60 mi. Foi eleito ROY do mês.
Marcelo Mayer (SS): promovido em 24/5; estreou com HR contra NYY em 6/6, somando dois no jogo de 11/6 contra os Rays — primeiro calouro do time com multi-homer game desde 2018 .
Roman Anthony (OF): subiu em 9/6; já marcou HR em 16/6 e vinha de AAA com .288/.423/.491, 10 HR e 29 RBI. Prospecto de Elite, potencial para ser a cara do time nos próximos anos.
O cliché da reconstrução com foco em jovens provou-se eficaz. O impacto imediato desses três, especialmente Mayer com múltiplos home runs no início, Anthony alcançando seu potencial defensivo, e Campbell mantendo consistência, indica que Boston pode transformar uma transição em evolução real. O clássico valor na base sólida segue vivo.
Paul Skenes: domínio total e assustador

Paul Skenes tem sido o arremessador mais eletrizante da temporada. Com um ERA de 1.78, WHIP de 0.85 e 97 strikeouts em apenas 96 innings, ele impõe respeito em cada saída — e está fazendo isso logo no seu ano de estreia. Mas o que realmente destaca Skenes são os dados avançados que confirmam o que os olhos já veem: ele é praticamente intocável.
Hard-hit % dos adversários: 38.9%. Isso significa que menos de 4 em cada 10 bolas rebatidas contra ele saem com força significativa. Para um arremessador novato, é excepcional. Em outras palavras, quando os rebatedores conseguem contato, normalmente não é forte o bastante para gerar perigo.
xwOBA permitida: .252. O "Expected Weighted On-Base Average" (xwOBA) é uma métrica que combina qualidade de contato, strikeouts e walks, estimando o quão produtivo o rebatedor deveria estar sendo.Um valor abaixo de .300 é excelente. O .252 de Skenes o coloca entre os melhores da liga — na prática, os rebatedores têm chance mínima de gerar algo quando ele está no montinho.
Velocidade média da fastball: 98 mphEle lança consistentemente a quase 158 km/h, o que por si só já é elite. Mas o diferencial de Skenes está no movimento da bola: além da velocidade, suas variações — como a slider e a sinker — têm quebra agressiva e comando preciso, dificultando ainda mais o contato.
Skenes representa o modelo ideal do arremessador moderno: velocidade bruta, comando refinado e controle do jogo. Mas o que impressiona mais é o quão natural isso parece para ele. Domina o montinho com a frieza de um veterano e a força de um touro.
Detroit Tigers: renascidos pelo time, não estrelas

Com 47‑27, lideram a AL Central (pCT .635), com 358 RS e apenas 274 RA (+84 run diff).
Rotação sólida: Tarik Skubal é destaque com ERA 1.99 e 111 strikeouts.
Ataque equilibrado: liderado por Riley Greene (SLG .502), Spencer Torkelson (16 HR), e formação geral consistente.
Nada de estrelas isoladas — a força vem do conjunto. Execução com base firme, rotação forte, bullpen eficiente. Modelo tradicional que cobra respeito.
Baltimore Orioles: desperdício de promessa

Com 30‑41, ocupam o último lugar na AL East. Rotação com ERA‑ ajustada de 161 — o pior da era moderna.
Hitting fraco: AVG .241, OBP .306, SLG .397, ranking entre os piores da liga (26º–24º–23º) .
Mudança de comando: técnico Hyde foi demitido após 15‑29, criando instabilidade .
Vidas longas a base de promessa e pipeline não resolvem desempenho. Sem arremessadores competentes e com ataque inconsistente, o time desmorona. Modelo sustentável? Falhando.
Atuais MPVs (E potenciais MPVs dessa temporada): Judge e Ohtani

Aaron Judge (NYY):
.378 AVG, líder em HR (26), hits (100), OBP (.475), SLG (.751) e OPS (1.226).
À beira de brigar pelo Triple Crown. Rendendo no campo tradicional e estatístico.
Shohei Ohtani (LAD):
.296 AVG, 25 HR, 43 RBI, OPS 1.027 (2º na NL).
Voltou a arremessar contra SD em 16/6: fastball de 100 mph, sinker a 97.4 mph com movimento excelente, 28 pitches, 1 ER em 1 IP, e ofensivamente 2 RBIs num jogo histórico que quebrou recorde de audiência no MLB.TV (+28%).
Judge é a definição do valor do bastão puro. Ohtani desafia a tradição: pós-cirurgia, volta com poder de elite tanto lançando quanto batendo. Seu modelo dual continua modificado ao jogo moderno.
Conclusão...
Tempo de contraste forte: desde o domínio implacável de Skenes, passando pela reconstrução lógica dos Red Sox, até a força do coletivo no Detroit tradicional e o desastre dos Orioles. No topo, Judge e Ohtani revalidam métodos centenários e, ao mesmo tempo, os transformam. É o velho espírito do jogo — mas com estatística moderna e especial. Fascinante.



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